O que muda no trabalho externo com a reforma trabalhista

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A reforma trabalhista modificou mais de cem aspectos da legislação brasileira, dentre eles a gestão de funcionários externos. Como ainda existem dúvidas sobre as alterações, produzimos este post para recapitular as principais mudanças ligadas ao trabalho externo, bem como as  alternativas para gerir os colaboradores que desempenham atividades externas à empresa.

O que é caracterizado como trabalho externo?

O artigo 62 da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) orienta sobre a gestão de colaboradores que exercem atividade incompatível com a fixação de horário de trabalho. Essa condição deve estar descrita na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e no registro de empregados. Mas, vale ressaltar que trabalho externo não é o mesmo que teletrabalho ou home office.

trabalho externo

O trabalho remoto depende da utilização de tecnologias da informação e de comunicação, que por sua natureza, não constituem o trabalho externo, mas sim o home office ou teletrabalho. Podemos exemplificar como trabalho externo a atividade desempenhada por profissionais que atuam em consultorias, construção civil ou como representantes comerciais, motoristas profissionais, entre outras ocupações.  

Trabalho externo: o que muda com a reforma trabalhista?

A sua empresa já se adaptou a todas as mudanças previstas pela nova legislação? Listamos abaixo alguns dos aspectos que estão mais ligados ao trabalho externo. Confira:

Ampliação da jornada de trabalho

A reforma trabalhista ampliou a jornada, inclusive para o trabalho externo. O limite de oito horas diárias foi ampliado para 12 horas, desde que sejam respeitadas as 36 horas de descanso ininterrupto. E, a carga horária semanal continua sendo 44 horas, que somadas as horas extras pode chegar até 48 horas semanais.

Alteração no intervalo intrajornada

A mudança abriu espaço para negociação do período de intervalo intrajornada (que ocorre dentro do horário de trabalho). É o horário geralmente destinado para a alimentação ou descanso. A pausa, que antes deveria ter no mínimo uma hora, agora pode ser reduzida para 30 minutos, desde que acordado entre as partes. Quem desenvolve trabalho externo também tem esse direito assegurado. E, caso o empregador não conceda esse intervalo ou conceda parcialmente, o colaborador tem direito a uma indenização de 50% do valor da hora normal de trabalho sobre o tempo não concedido.

Tempo de deslocamento

Sabe as horas “in itinere”, que antes até podiam fazer parte da jornada de trabalho em algumas situações? Após a reforma trabalhista elas deixaram de existir, pois não são mais consideradas tempo à disposição do empregador. Para ter uma gestão mais efetiva , as empresas podem monitorar a jornada dos colaboradores externos por meio de sistemas com geolocalização, que permitem visualizar exatamente onde o funcionário estava no momento do registro do ponto.

Gestão de funcionários externos: 3 aspectos essenciais

trabalho externoUma das principais dúvidas dos gestores é como fazer o registro de ponto dos profissionais que desempenham o trabalho externo de forma eficiente. E a tecnologia é a melhor alternativa, pois permite o acompanhamento da jornada em tempo real. Isso sem falar no controle de custos, principalmente de horas extras. Portanto, se a sua empresa executa trabalho externo, fique atento aos seguintes aspectos:

1. Registro de ponto

O registro de ponto é fundamental para empresa gerir a jornada de trabalho da equipe externa. O ideal é escolher uma solução móvel, que permita ao funcionário registrar as horas trabalhadas via smartphones ou tablets. As batidas podem ser feitas via aplicativo, que podem inclusive fazer o reconhecimento facial do colaborador, ou via navegador de internet.

2. Monitoramento dos colaboradores externos

Monitorar a atividade da equipe que desempenha trabalho externo por muito tempo foi motivo de dor de cabeça para os gestores e líderes. Sem conexão com os colaboradores era difícil acompanhar o andamento das atividades e até identificar inconsistências. Mas, a tecnologia resolveu isso. O registro de ponto via smartphones e tablets permite acompanhar a localização exata do colaborador, ampliando assim a confiabilidade das informações. Mas, vale ressaltar que os trabalhadores autônomos não têm a obrigação de fazer o registro de ponto. Porém, quando é feito além de favorecer o acompanhamento das atividades, também fica mais fácil mensurar o tempo necessário para a execução de cada atividade e até para precificar adequadamente o serviço prestado.

3. Avalie o trabalho externo

Faça avaliações regulares sobre o desempenho do trabalho externo a fim de identificar gargalos, seja de produtividade, custos, entre outros. O acompanhamento periódico das informações capturadas via tecnologia amplia o controle sobre os intervalos, horas extras e o controle efetivo da jornada. Outra vantagem de usar a tecnologia é que você não perde tempo buscando informações, fazendo cálculos e elaborando relatórios. O sistema realiza cálculos automáticos e gera relatórios automáticos.  

Então, a sua empresa já faz o acompanhamento da jornada dos trabalhadores externos? Quais são as maiores  dificuldades que você enfrenta?

Se você quiser saber mais sobre a reforma trabalhista e alterações na jornada de trabalho sugerimos a leitura dos posts abaixo:

Reforma das leis trabalhistas: o que o seu RH precisa saber?
As mudanças e diferenças na jornada de trabalho brasileira
Os desafios do trabalho remoto para o RH